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Uma Tragédia Sertaneja é o primeiro livro de Zenilton Bezerra. Narra a aberração que é o sofrimento do sertanejo nordestino durante a seca, o desengano à ação política e governamental e o dilema em relação à fé. A história tem como base uma família típica de lavradores do sertão, atingida tragicamente pela prolongada estiagem e suas consequências.
Não o sertão das cidades médias que pipocam na região, mas os rincões lá dos pés-de-serra esquecidos pelos governos. Morrem bestamente por isso, porque ninguém olha e nem quer olhar para eles, seja na bonança, seja na seca. Mas na época de eleição, vão atrás dos votos deles.
Na época da seca 1998-1999, uma das mais fracas, o autor era gerente de Comunicação Social da Rede Bahia de Comunicação, que acabara de liderar uma campanha de doação de cestas básicas de alimentos para os flagelados baianos. As toneladas de doações foram entregues ao governo do Estado e por ele mandadas por carretas para as populações mais afetadas, mas em duas delas a distribuição foi feita de modo especial.
De manhã cedo, no dia da entrega oficial dos alimentos, dois aviões do governo do estado levantaram voo do aeroporto de Salvador. O primeiro deles levava repórteres, fotógrafos e cinegrafistas da Secretaria de Comunicação Social do governo estadual e de alguns órgãos de imprensa.
No segundo, que decolou quase uma hora depois, estavam a primeira-dama Tárcia Borges,
(esposa do então governador Cezar Borges), alguns assessores, e Zenilton Bezerra, representando a Rede Bahia. No plano de vôo das duas aeronaves, aterrizagem em duas cidades do sertão baiano, onde foram montados os mesmos esquemas da solenidade de entrega das cestas de alimentos.
Em frente à Prefeitura, uma fila enorme de flagelados, cada um deles previamente contemplado pela comissão organizadora, e que estavam ali, na fila sob o forte calor, esperando desde cedo da manhã, sedentos e famintos. Discursos. Cinco flagelados escolhidos a dedo subiram ao palco para receber das mãos da primeira-dama e do prefeito local, uma cesta de alimento. Cumprido esse ritual nas duas cidades, a comitiva voltou nos mesmos aviões para Salvador, enquanto a cerimônia de entrega das cestas prosseguia sob a quentura do sol.
Foi esse fato que inspirou Zenilton Bezerra a escrever Uma Tragédia Sertaneja, e isso está retratado no capítulo em que Avelino, chefe da família que protagoniza a história, se humilha numa fila para a conquista de um trabalho em uma frente de serviço.
Personagens e passagens, é claro, são fictícios, mas grande parte da história é baseada em fatos que o autor acompanhou ao longo de sua vida como repórter ou leu em reportagens de jornais locais sobre a seca e suas vítimas. E Queimadas, que o autor situa no sertão, na verdade está a menos de 20 minutos ao sul de Campina Grande, que é a porteira do sertão paraibano.
O livro começou a ser escrito em outubro de 1998. Ocorre que o autor botou na cabeça que Uma Tragédia Sertaneja seria escrito na forma poética, numa homenagem à literatura de cordel que ainda domina o sertão nordestino.
Também decidiu que sua obra seguiria o formato usado por Camões em Os Lusíadas, com estrofes de oito versos e rimas em ABABABCC, mas com uma pequena diferença: ao invés dos versos alexandrinos de Camões (de 12 sílabas, muito usados na Idade Média), ele usou a forma dos versos silábicos, fechando cada um dos versos com 14 sílabas.
Por diversos fatores, o ponto final do livro só foi colocado em dezembro de 2008.
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